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O DRAMA DA CHEIA

Célio Simões

Zé Lopes olhou desolado a imensidão liquida, inspirou profundamente, fazendo aquele gesto tipicamente latino de botar as mãos na cintura, apertar os olhos e balançar a cabeça… Realmente, para ele nada restava, a não ser arribar.

Equilibrado precariamente na cerca meio submersa, ele contemplava aquele cenário triste, sentindo um nó apertar-lhe a garganta. É que a enchente chegara!

Do seu terreno de várzea conseguido à custa de suor e privações, sobrara a copa dos igapós, o caule retorcido das mungubeiras, os vestígios da roça perdida. Zé previra a enchente e sabia do seu tamanho. Achara ovos de uruá no alto do mourão que fincara para amarrar a montaria. O patinho d´água com seu canto agourento não calara durante todo o verão e a lua estivera sempre tombada para o lado esquerdo no dia de Ano Novo. Nada, portanto, era surpresa. Continue a leitura »

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