Lançamanto de selo e livro de Ildefonso Guimarães

Com o Auditório Pará, no HANGAR, totalmente lotado, aconteceu neste sábado (11) em Belém do Pará, o lançamento do Selo Literário Ildefonso Guimarães e de seu livro “Crônicas de Rua: Memória de um Repórter de Polícia”.

Durante a cerimônia João de Jesus Paz Loureiro e Nilson Chaves falaram da importância do Selo para os escritores do Pará, da obra e da forma literária refinada que Ildefonso escreveu suas obras. Loureiro comentou: “A grande maioria dos escritores paraenses vem do interior, como Ildefonso, trazendo consigo a cultura interiorana que enriquecem ainda mais a literatura paraense”.

Tanto Nilson como Loureiro, mostraram-se contrários a divisão do Pará e Nilson Comentou: “Eu aprendi que a ação coletiva se dá pela união e não pela divisão e este Selo é uma forma de união e não de divisão do Pará.”

Seu filho, Ildefonso Guimarães Filho, falou da obra de seu pai, da sua dedicação à literatura, do tempo em que viveu em Óbidos, do reconhecimento que pai está recebendo dando nome ao Selo e agradeceu às pessoas que contribuíram para o lançamento do Livro.

O Selo

A Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves através do selo literário Ildefonso Guimarães, procura de estimular a leitura e produção literária, prestando homenagem a um dos maiores expoentes da literatura paraense.

O livro

O livro “Crônicas de Rua” tem como ponto de partida fatos do cotidiano da cidade de Belém, no período que vai do final da década de 40 à década de 80, onde são resgatados fatos deste período.

Ildefonso Guimarães dá aos acontecimentos um lirismo sem igual, constituindo às crônicas curtas uma mistura de suspense, humor e lições de vida. Criando personagens a partir da realidade, dando aos tipos sociais vida


 plena, criticando valores, costumes e os mais diversos comportamentos.

Constrói um retrato de Belém de outros tempos, que nos remete a narrativa de Dalcídio Jurandir em “Belém do Grão Pará”, ou de Machado de Assis em seus “Contos Fluminenses” descrevendo o Rio de Janeiro, Jorge Amado a Bahia em seus romances. Não é nenhum exagero afirmar a competência em construir narrativas breves e de uma densidade profunda, preocupado no texto em deixar ao leitor sempre uma mensagem propositiva, apesar de narrar “crimes” dessa época.

Outro aspe

cto marcante na obra é o recurso usado pelo autor da intertextualidade. Ildefonso Guimarães faz uma retomada a grandes mestres da literatura, dando a sua obra um elo entre o regional e o universal, partindo de situações locais como o caso de um falso cristão que roubava as esmolas doadas à igreja, para refletir como o leitor a sua condição ética e moral.

Com uma capacidade ímpar no uso da linguagem, Ildefonso recria situações que estão presentes em sua memória de “repórter de polícia”, usando o fluxo da memória de forma alinear, constituindo narrativas em estruturas psicológicas, prendendo o leitor a cada parágrafo do texto, fazendo com que o mesmo não deixe de chagar ao seu final na espectativa do desfecho de cada história.

A modernidade se faz presente na obra de Ildefonso Guimarães, com uma temática do cotidiano de uma cidade em transformação, com uma linguagem criativa, passando por diversos níveis de elaboração, desde o erudito ao popular, conseguindo dar à temática regional, uma dimensão de valores universal, em qualquer lugar ou qualquer pessoa, de qualquer idade, se identificará com as “Crônicas de Rua”, com seus personagens, seus conflitos, seus dilemas e acima de tudo, com a felicidade das mensagens aprendidas em cad

a experiência de vida por todos aqueles que compõe estas crônicas, pois são na verdade parte de um todo que formamos e que somos, com nosso vícios e virtudes, em síntese, Ildefonso resume nesta obra a essência do comportamento humano, ou como ele escreve “isto é uma questão de idiossincrasia”.

Ildefonso Guimarães

Por fim o lirismo, tão presente no gênero poético, aparece de forma maestral em um livro de crônicas, só um escritor com grande genialidade no uso da palavra, é capaz de transformar temas relacionado ao sofrimento como: a prisão, o delito, o desvio de comportamento, em algo lírico, belo e alentador no ato da leitura.

“Quem em seu senso próprio dirá que a vida não tem seus ires e vires”.

(Ildefonso Guimarães – Crônicas de Rua)

“Quando tudo é quietude e corre cinzento o senso da gente, embolorando a alma e pondo tentares sombrios na vida da pessoa”.

(Ildefonso Guimarães – Crônicas de Rua)

Sem dúvida esta obra ficará marcada na história da literatura do Pará. (Bella Pinto)

O Autor

Ildefonso Guimarães é natural de Santarém e passou a maior parte de sua vida em Óbidos, cidade que era a principal inspiração de suas crônicas, romances e contos. Trabalhou como jornalista, venceu vários concursos literários nacionais. Faleceu e 2004 aos 85 anos.

 Fonte: www.chupaosso.com.br

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