MADRUGADA

 Fernando Sousa

Rasgam clarões no atro céu ,

Anunciando breve mudança,

É a natureza coberta dum véu,

Despindo-se numa ritual dança.

 

Como num palco a troca começa,

Adentrando a claridade do arrebol,

E cores alegres logo pintam na peça,

Prenúncio da madrugada, chega o sol.

 

Se antes ouviam-se sons distantes,

Agora o pipilar delicado e a revoada,

Sinalizam os pássaros que desfilantes,

Fazem o renovado espetáculo da alvorada.

 

No cumprimento para a nova data,

É que a façamos repleta de delícias,

Pois recomeçar, é sempre outra regata

E fonte de novas e alvissareiras primícias.

 

Tudo no novo hoje é bem possível,

Somos atores e plateia da renovação,

Manobrados, porém por força invisível,

Mas continuamos como átomos da criação.

 

Eis o que significa surgir da escuridão,

Convicto que depois da noite é novo dia,

Assim, o que nos ensina a tradicional lição:

Faça de um hoje triste, um amanhã de alegria.

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