PAUXI ROXO

Fernando Sousa

Por minha vida caminheira desde o nascimento residi em muitas cidades e estados deste Brasil, deslocando-me quando solteiro em busca de um pouso e amando muitas terras. Quando me reuni com aquela que seria a minha companheira de vida, a alenquerense Ivanilde e mais tarde com a família acrescida de cinco filhos e em muitos momentos com minha querida mãezinha, continuei deslocando-me sempre. Hoje domiciliado em Belém e com longas estadas/estadias em São Paulo.

Meu solo de nascimento é Óbidos, portanto, minha origem, lugar onde vivi até os 4 anos, adolesci em Santarém, construí família e criei meus filhos aurindo a brisa do Rio-mar, o que me marcou com amor do tamanho que tem a amizade sincera e inapagável. Também, o fato de meus pais serem obidenses e as ligações de origem e história, dão-me a vitalidade e consistência no que chamarei de “bairrismo”, termo e sentimento decantado pelo saudoso Francisco Manuel Brandão em sua obra “Terra Pauxi”, que com estilo, elegância e conteúdo, descreve esse sentimento-apodo com a dignidade e ufanismo dos capazes e amantes:

Das formas do amor da pátria a mais espontânea, mais natural e, direi até, mais legítima, é o bairrismo: o afeto ingênuo, quase inconsciente, ao torrão onde nascemos, onde experimentamos as primeiras sensações, que nos lembrem onde fica a paisagem que impressionou o nosso olhar móbil de crianças,…..onde vive a gente que primeiro conhecemos e amamos, onde surgem, após longos anos passados, as primeiras imagens queridas à nossa memória e para onde voltam as saudades dos tempos que não voltam mais. ……… .”

Então, pelo meu nomadismo com histórias nestes “brasis”, é evidente que não me abstive apenas ao dito popular: “minha terra é o lugar que me querem e me dou bem.” Mas, sim, àquilo que transcenderá para outra vida. Amo Santarém da minha adolescência; Alenquer que me deu um tesouro para convivente; Belém pela pousada onde permaneço e palco da formação da personalidade de meus filhos; Salinópolis pelo regaço que me dá e me inspira com suas belezas naturais; e, agora, um pouco mais de São Paulo, onde quatro dos meus filhos residem e que se tornou o meu “spa” seguro para o cuidado da saúde que o tempo me impõe em troca da longevidade e cultura.

Volto a recorrer à sabedoria de Francisco Manoel Brandão: “Crê sempre na estima de teus filhos. Perto ou longe de ti, há neles uma força irresistível, uma paixão telúrica que supera todas as distâncias, todos os sentimentos contrários ao amor que cada um deve a sua terra natal!” Com este fundamento busquei o novo substantivo Pauxi roxo, para significar filho da Terra Pauxi, com o vigor e irracionalidade, até, de que a cor roxa identifica muito o intenso, desmedido, apaixonado, louco….

Obrigado Francisco Manoel Brandão por seres o exemplo do “bairrismo” e te explicares, pois eu te endosso.

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