Meu encontro de Páscoa

Fernando Sousa

Estando ainda em São Paulo para ajustes de saúde, frequentei no domingo, dia 31 de março, a igreja de Nossa Senhora da Consolação para assistir a Santa Missa Pascal, adentrando ao templo em uma procissão alegre, canora e plena de jovialidade, onde estavam presentes jovens adolescentes e maduros. Continuar lendo

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RETRATOS E FATOS DA LITERATURA OBIDENSE

 Célio Simões (*)

 Após uma existência mais de três vezes secular, nos dias 20 e 21.07.2012 através da I FECIMA (Festival de Cultura, Identidade e Memória Amazônica) Óbidos será transformada em uma espécie centro regional de estudos dos fatos que marcaram de forma indelével sua extraordinária literatura.

Isso seria, talvez, impossível de concretizar com êxito, se os promotores do evento tivessem concebido a reunião para esmiuçar quaisquer outros temas clássicos, embora importantes – como saúde, saneamento, segurança, habitação – cuja legitimidade emanasse de posições sedimentadas em políticas públicas nos três níveis de governo e apenas mutáveis, na essência, no curso das campanhas eleitorais ou por processos violentos ou revolucionários. Se assim fosse, o debate sobre tais conjunturas melhor estaria se limitado ficasse ao conhecimento dos técnicos instalados nos gabinetes das velhas repartições públicas, testemunhas prováveis do lento e distorcido processo de aperfeiçoamento que sempre tiveram. Continuar lendo

ELE

 Shirlei Guimarães Florenzano Figueira

Jamais escrevera ou amara como Clarice. As ruas estreitas por onde vagueavam seus pensamentos conduziam a um único rumo: a razão. Lera Heidegger, Kant e Husserl, mas seu espírito negara a fenomenologia. O tempo era, para Ele, as frestas da janela rota de alguns instantes.

Executava tarefas, pagava contas e amava sempre a mesma mulher. Não era miscível. Sua sistemática jamais lhe permitira expandir as vias da racionalidade. Compreendia o amor como vincos inaceitáveis para sua alma plana, lisa. Pensava no amor como ductilibidade. Preferia a rigidez. Continuar lendo

O DRAMA DA CHEIA

Célio Simões

Zé Lopes olhou desolado a imensidão liquida, inspirou profundamente, fazendo aquele gesto tipicamente latino de botar as mãos na cintura, apertar os olhos e balançar a cabeça… Realmente, para ele nada restava, a não ser arribar.

Equilibrado precariamente na cerca meio submersa, ele contemplava aquele cenário triste, sentindo um nó apertar-lhe a garganta. É que a enchente chegara!

Do seu terreno de várzea conseguido à custa de suor e privações, sobrara a copa dos igapós, o caule retorcido das mungubeiras, os vestígios da roça perdida. Zé previra a enchente e sabia do seu tamanho. Achara ovos de uruá no alto do mourão que fincara para amarrar a montaria. O patinho d´água com seu canto agourento não calara durante todo o verão e a lua estivera sempre tombada para o lado esquerdo no dia de Ano Novo. Nada, portanto, era surpresa. Continuar lendo